Capítulo Cinco

Null'kai

O silêncio era o pior.

Tha'lei passou a noite seguinte ao confronto em uma câmara que alguém havia preparado para ela — um espaço escavado na rocha vulcânica, pouco maior que um armário. As paredes eram cobertas por uma crosta de mineral negro chamado vor'site, denso o suficiente para absorver qualquer luz e qualquer som. O chão era irregular, marcado por veios de obsidiana que cortavam a pedra como cicatrizes antigas. No canto mais afastado, uma fenda na rocha deixava escapar um fio de água gelada — condensação das profundezas, disseram, potável mas com gosto de ferro e enxofre. A única iluminação vinha de um único ponto de bioluminescência cultivada no teto: um organismo pálido, quase morto, que pulsava em intervalos irregulares como um coração cansado.

Privacidade, disseram. Honra para a Keth'lei.

Parecia mais uma cela. Uma tumba esperando ser selada.

Ela não dormiu. Cada vez que fechava os olhos, via a luz dourada escapando de sua própria carapaça, via o rosto de Vorn — não de dor, mas de algo pior. Confusão. Como se ela tivesse quebrado algo nele que não deveria quebrar.

O que eu fiz?

A pergunta voltava em ciclos, cada repetição mais pesada que a anterior. Ela olhava para suas próprias mãos na penumbra, esperando ver resíduos daquela luz impossível. Não havia nada. Apenas carapaça jovem, azul-petróleo manchado de verde-mar, os mesmos padrões bioluminescentes fracos de sempre.

Foi real?

Talvez tivesse imaginado. Talvez o medo, a adrenalina, a exaustão de dias fugindo tivessem conspirado para criar uma alucinação. Seria mais fácil acreditar nisso. Seria mais seguro.

Mas a rachadura em sua carapaça ainda estava quente ao toque.

· · ·

A convocação veio antes do que esperava.

Um guarda apareceu na entrada de sua câmara — jovem, nervoso, evitando olhar diretamente para ela como se temesse que a luz pudesse escapar novamente a qualquer momento.

— O conselho solicita sua presença.

Solicita. A palavra era educada demais para ser real. Tha'lei reconhecia uma ordem quando ouvia uma.

O caminho até a câmara do conselho serpenteava por túneis que pareciam as entranhas de uma criatura morta. As paredes exibiam marcas de ferramentas primitivas — sulcos deixados por gerações de refugiados que haviam escavado seu lar na rocha vulcânica com garras e determinação. Em alguns pontos, veias térmicas cruzavam a pedra, emitindo um calor fraco que era o único conforto em quilômetros. A cada bifurcação, símbolos gravados indicavam direções: uma espiral para áreas habitadas, um X para zonas de risco, uma onda para reservatórios de água. O código de sobrevivência de Null'kai, aprendido ou esquecido ao preço de vidas.

A câmara do conselho se abria como uma bolha no basalto — um domo natural expandido por mãos cuidadosas ao longo de décadas. O teto se elevava em arcos irregulares cobertos por uma fina camada de cristais de enxofre que refletiam a luz das tochas bioluminescentes, criando um céu falso de estrelas amareladas. No centro, uma mesa de pedra polida pela idade ocupava o espaço, sua superfície marcada por mapas talhados diretamente na rocha: representações de túneis, rotas de fuga, zonas seguras que provavelmente já não existiam mais. Ao redor, bancos esculpidos diretamente das paredes formavam um anfiteatro natural.

Estava mais cheia do que na noite anterior. Além dos membros que já conhecia — Vel'thara com seus olhos de concha quebrada, Finn'thara com suas escamas acinzentadas, Vor'eth flutuando em sua forma translúcida — havia outros. Rostos endurecidos pela sobrevivência em Null'kai, olhos que a mediam como quem avalia uma ameaça.

E um que não escondia sua hostilidade.

Thar'om — apresentou Vel'thara, indicando um Finn'ra de ombros largos cuja carapaça carregava mais cicatrizes de combate do que Tha'lei conseguia contar. — Comandante de nossa defesa.

— A defesa que falhou ontem — disse Thar'om, sem se levantar. Sua voz era como cascalho raspando contra pedra. — Três postos ultrapassados. Um Shar'kai dentro do Coração. E ela — apontou para Tha'lei sem cerimônia — ainda aqui.

— Ela repeliu o caçador — disse Vel'thara.

— Ela atraiu o caçador. — Thar'om se levantou, e Tha'lei percebeu que ele era ainda maior do que parecera sentado. — Desde que chegou, temos um alvo pintado em cada parede. E agora o regime sabe exatamente onde estamos.

— O regime sempre soube — interveio Keth'ra, da sombra junto à entrada. Tha'lei não a vira entrar. — Eles toleram nossa existência porque somos inconvenientes, não ameaças. Isso não mudou.

— Não? — Thar'om virou-se para encará-la. — Um Shar'kai não é enviado para inconveniências. É enviado para extermínios.

O silêncio que se seguiu tinha peso. Tha'lei sentiu os olhares de todos sobre ela — alguns curiosos, outros receosos, outros abertamente hostis.

— O que você sugere? — perguntou Finn'thara, quebrando a tensão.

— Que ela vá embora. — Thar'om não hesitou. — Que leve a profecia e o perigo para outro lugar. Há outros pontos de contato. Há—

— Há oito mil vidas aqui — cortou Vel'thara, e apesar de sua voz ser suave, algo nela fez Thar'om parar. — Vidas que escolheram acreditar. Se a mandamos embora, mandamos a esperança junto.

— Esperança não para lâminas.

— Não. — Vel'thara se levantou, apoiando-se na mesa com mãos que tremiam ligeiramente. — Mas desespero também não. E é isso que teremos se começarmos a sacrificar os nossos por medo.

Tha'lei queria falar. Queria dizer que entendia os dois lados, que também tinha medo, que não pedira nada disso. Mas as palavras não vinham. Apenas ficou ali, sentindo-se menor a cada segundo, enquanto pessoas que mal conhecia decidiam seu destino.

— Ela fica — disse uma voz que Tha'lei não esperava. Keth'ra. — Pelo menos até entendermos o que aconteceu ontem.

— O que aconteceu foi—

— Algo que nenhum de nós consegue explicar. — Keth'ra avançou até o centro da câmara, seus passos silenciosos como sempre. — Eu vi. Luz saindo dela. Luz que queimou um Shar'kai treinado para não sentir dor. — Ela se virou para Tha'lei, e havia algo estranho em seu olhar. Não carinho — Keth'ra não fazia carinho. Mas interesse. Cálculo. — O que importa não é se a profecia é real. É se as pessoas acreditam que é. E depois de ontem... elas acreditam.

Thar'om bufou, um som áspero de frustração.

— Fé não ganha guerras.

— Também não as perde — respondeu Keth'ra. — Ela fica. Por enquanto.

Não era exatamente uma vitória. Mas Tha'lei aceitou.

Nas Profundezas de Null'kai

Vorn

O frio era diferente agora.

Antes, Vorn conseguia ignorá-lo — mais uma sensação para ser catalogada e descartada, como dor ou cansaço. Seu corpo fora modificado para funcionar além dos limites normais, para transformar desconforto em dados e continuar operando.

Mas isso era antes.

Os tremores haviam se tornado constantes.

Não os espasmos ocasionais dos últimos dias — aqueles ainda permitiam movimento, ainda permitiam função. Estes eram diferentes. Vinham em ondas que começavam nas extremidades e subiam pelo corpo como maré, transformando músculos em algo que não obedecia comandos. Suas mãos — mãos que haviam matado setenta e três vezes sem hesitar — agora se contraíam em padrões que ele não controlava.

E havia a marca.

Vorn olhou para a palma de sua mão direita pela centésima vez. O padrão dourado ainda estava ali — linhas que se entrelaçavam como raízes ou veias, pulsando com uma luz fraca que não vinha de nenhuma fonte que ele pudesse identificar. Não doía, exatamente. Era pior. Era como ter uma parte de si que não reconhecia.

O que ela fez comigo?

A pergunta era irritante porque implicava fraqueza. Shar'kai não eram afetados por alvos. Shar'kai não carregavam marcas. Shar'kai—

Outro tremor. Este foi forte o bastante para fazê-lo perder o equilíbrio. Vorn se apoiou em uma formação rochosa, dedos afundando no basalto corroído enquanto seu corpo se recusava a cooperar.

Abstinência. É apenas abstinência.

Quatro dias sem o keth modificado. Quatro dias desde a última cápsula selada entregue pelos drones do regime. Seu corpo estava cobrando o preço — cada célula gritando pela substância que o mantinha funcional, cada sinapse falhando sem o combustível que haviam sido redesenhadas para exigir.

A maioria dos Shar'nu morria no terceiro dia de abstinência. Vorn estava no quarto.

Ele tinha seis ciclos. A sala era branca — branco estéril de instalação médica, branco que machucava os olhos. Mãos o seguravam enquanto agulhas entravam em sua carapaça, injetando algo que queimava como fogo líquido.

— Vai doer — disse uma voz sem rosto. — Mas depois você não vai mais sentir dor. Não vai sentir nada que não seja útil.

Mentira.

Ele sentia tudo. Apenas não conseguia mais reagir.

A memória se dissipou como fumaça. Vorn piscou, tentando focar no presente.

Null'kai se estendia ao seu redor como uma ferida aberta no fundo do mundo. A caldeira vulcânica que um dia abrigara vida agora era um cemitério de basalto e silêncio. O chão era uma crosta irregular de rocha negra, rachada em padrões hexagonais onde o magma havia esfriado há milênios — cada fissura preenchida por um gelo fino que rangia sob seus passos. Formações rochosas se erguiam como dedos retorcidos apontando para um céu que não existia, algumas altas o suficiente para desaparecer na escuridão perpétua acima. A pressão aqui era brutal — o peso de quilômetros de oceano comprimindo tudo, tornando cada respiração um esforço consciente.

Não havia bioluminescência. Nenhum organismo conseguia sobreviver nas profundezas de Null'kai por tempo suficiente para colonizar. A única luz vinha das fendas térmicas ocasionais — veias de lava antiga que ainda pulsavam sob a crosta, emitindo um brilho vermelho-alaranjado que transformava a paisagem em algo infernal. O ar era denso de enxofre e minerais pesados, cada inspiração deixando um gosto metálico que revestia as guelras.

E havia os corpos.

Vorn havia passado por vários deles nas últimas horas. Preservados pelo frio impossível das profundezas, rostos congelados em expressões que contavam histórias inteiras. Um jovem com as mãos estendidas em direção a algo que não alcançara. Uma mãe curvada sobre uma forma menor que não conseguira proteger. Um ancião ajoelhado como se tivesse parado para rezar e simplesmente nunca mais se levantado. Cada um era alguém que fugira, alguém que tentara, alguém que falhara.

Como eu estou falhando agora.

A marca em sua mão pulsou mais forte. E, por um instante, ele sentiu algo que não era dele.

Não era dor. Não era medo. Era... dúvida. Confusão. O peso de olhares julgando, de vozes debatendo, de um destino que não fora escolhido.

Vorn arrancou a mão da pedra como se tivesse sido queimado novamente.

O que foi isso?

A sensação passou tão rápido quanto veio. Talvez fosse alucinação — outro sintoma da abstinência, mais um sinal de que seu corpo estava desmoronando. Tinha que ser isso.

A alternativa era impossível.

Ele olhou na direção de onde viera — para o Coração, escondido em algum lugar nas profundezas da caldeira que deixara para trás. A missão ainda estava incompleta. A designação ainda estava ativa. Tudo que precisava fazer era voltar, terminar o trabalho, retornar a Vo'kethara e receber sua dose.

Simples.

Exceto que seus pés não se moviam naquela direção.

Em vez disso, Vorn se viu andando — cambaleando, realmente — para longe. Para lugar nenhum. Para qualquer lugar que não fosse de volta àquela câmara onde uma jovem Kelu'nu fizera algo impossível e olhara para ele não com medo, mas com algo pior.

Reconhecimento.

Como se ela soubesse algo sobre ele que nem ele mesmo sabia.

· · ·

Tha'lei não esperava encontrar crianças.

A câmara que descobriu por acaso era diferente das outras que vira no Coração. Mais baixa, mais quente, com teto arredondado que descia até quase tocar as paredes — como o interior de um ovo, pensou ela. O chão havia sido forrado com camadas de musgo térmico cultivado, macio sob os pés e exalando um aroma levemente adocicado que mascarava o enxofre onipresente. Tochas bioluminescentes mais fracas que as comuns criavam um brilho âmbar suave, gentil para olhos jovens que nunca haviam visto luz verdadeira. Nas paredes, alguém havia talhado imagens simples: ondas estilizadas, peixes com caudas em espiral, o sol representado como um círculo com raios — conceitos abstratos para quem nascera nas profundezas, mas preservados como herança de um mundo perdido.

E ali estavam — dezenas de crianças, espremidas em um espaço projetado para abrigar talvez metade desse número. Brincavam em silêncio aprendido, jogos que não faziam barulho, risadas abafadas antes de se tornarem som. Empilhavam pedras em padrões complexos, desenhavam com giz mineral em placas de ardósia, ou simplesmente ficavam sentadas em círculos, comunicando-se por gestos e expressões desenvolvidos para não produzir eco. Sobreviver em Null'kai significava não ser notado, e até os mais jovens já haviam internalizado a lição.

— Eles nasceram aqui — disse a voz atrás dela.

Tha'lei se virou. Uma Kelu'nu de idade média a observava — não alguém do conselho, não alguém importante. Apenas uma mãe, pelos gestos protetores que fazia em direção às crianças.

— A maioria nunca viu o sol filtrado. Nunca sentiu keth natural nas guelras. — A mulher se aproximou, parando ao lado de Tha'lei. — Para eles, isso aqui é o mundo inteiro.

— E você?

— Eu lembro. — Um sorriso triste cruzou seu rosto. — Às vezes desejo não lembrar. É mais fácil aceitar o escuro quando você não sabe que a luz existe.

Tha'lei observou as crianças brincando. Uma delas — uma menina de talvez cinco ciclos — a notou olhando e acenou timidamente. Tha'lei acenou de volta.

— Eles sabem quem eu sou?

— Sabem que você é a razão pela qual os adultos estão discutindo. — A mulher deu de ombros. — Crianças percebem mais do que deixamos transparecer. — Ela pausou, estudando Tha'lei com olhos que carregavam cansaço de ciclos. — Posso perguntar uma coisa?

— Claro.

— A luz. A que dizem que você fez. — A mulher baixou a voz. — Foi real?

Tha'lei pensou em mentir. Pensou em dizer que sim, que era parte da profecia, que tudo fazia sentido. Mas olhando para aquelas crianças, para aquela mãe que queria acreditar em algo, a mentira não veio.

— Eu não sei.

A honestidade pareceu surpreender a mulher. Depois, algo suavizou em sua expressão.

— Sabe o que minha avó costumava dizer? Que a luz não precisa saber que é luz para iluminar. — Ela tocou o ombro de Tha'lei brevemente. — Talvez seja assim com você também.

Antes que Tha'lei pudesse responder, a mulher se afastou, voltando para as crianças que a chamavam. E Tha'lei ficou ali, sozinha com o peso daquelas palavras e o silêncio que as cercava.

· · ·

Keth'ra a encontrou horas depois, em um dos túneis periféricos do Coração.

Esses túneis eram diferentes dos corredores internos — não escavados, mas naturais, formados por bolhas de gás aprisionadas na lava há eras. Suas paredes eram lisas como vidro, polidas pelo tempo em tons de cinza-esverdeado, refletindo de forma distorcida qualquer luz que passasse. Não havia tochas aqui, apenas o brilho distante das câmaras habitadas às costas, e à frente, a escuridão absoluta. O teto se curvava baixo, forçando qualquer adulto a caminhar ligeiramente curvado, e o chão descia em inclinação suave em direção ao nada. A cada dezenas de metros, marcas de giz indicavam distâncias — "50", "100", "150" — e depois disso, nenhuma marca. Ninguém ia além de certo ponto.

Tha'lei estava sentada em uma saliência de rocha na beira do limite marcado, pernas pendendo sobre um precipício que desaparecia na escuridão. Dali, podia ver onde o Coração terminava e Null'kai começava — a transição entre existência e vazio. A caldeira vulcânica se abria como um abismo invertido, suas paredes descendo em camadas de basalto rachado até um fundo que ninguém conseguia enxergar. Fendas térmicas distantes pulsavam em vermelho-alaranjado, criando constelações de fogo em um céu de pedra. O silêncio aqui era diferente: não o silêncio de quem se esconde, mas o silêncio de algo que nunca teve vida para começar.

Null'kai era um oceano de escuridão pontuado por nada — sem vida, sem luz, sem esperança. E ainda assim, oito mil pessoas haviam escolhido viver em suas bordas.

— Você está pensando alto demais — disse Keth'ra, sentando-se ao lado dela sem pedir permissão. — Dá para ouvir do outro lado do Coração.

— Thar'om quer que eu vá embora.

— Thar'om é um soldado. Soldados pensam em termos de ameaças e recursos. Você, para ele, é as duas coisas.

— E para você?

Keth'ra não respondeu imediatamente. Seus olhos varriam a escuridão com a mesma vigilância de sempre, mesmo em território teoricamente seguro.

— Para mim, você é uma pergunta. — Ela se virou para encarar Tha'lei. — Uma que ainda não sei responder.

— Que pergunta?

— Se você é o que Kel'om dizia que era. Ou se é algo completamente diferente.

Tha'lei tocou a rachadura em sua carapaça. Ainda estava quente — menos que antes, mas presente. Uma linha irregular que a acompanhava desde antes de ter memória.

— Você sabe de onde veio isso, não sabe? — perguntou ela. — A rachadura.

Keth'ra ficou em silêncio por tempo demais. Quando finalmente respondeu, sua voz era cuidadosamente neutra.

— Sei o que me contaram.

— Que é...?

— Uma história para outro momento. — Keth'ra se levantou, esticando músculos que haviam ficado tensos. — Por enquanto, você tem coisas mais importantes para se preocupar.

— Como o quê?

— Como descobrir o que você é capaz de fazer. — Keth'ra olhou para ela de cima, e havia algo em seus olhos que Tha'lei não conseguia ler. — A luz que você produziu ontem... não foi um acidente. Foi uma reação. Algo em você respondeu a uma ameaça.

— E se eu não conseguir fazer de novo?

— Então descobrimos isso também. — Keth'ra começou a se afastar, depois parou. Olhou por sobre o ombro. — Você não precisa ser o que dizem que você é, Tha'lei. Pode ser mais. Pode ser menos. Pode ser algo completamente diferente. O que importa é o que você escolhe fazer com o que tem.

E então se foi, deixando Tha'lei sozinha com suas dúvidas e a escuridão infinita de Null'kai.

· · ·

Naquela noite — se é que noite significava algo em um lugar sem sol — Tha'lei sonhou.

Não com Kel'om, como esperava. Não com a execução, não com sangue, não com cantos que eram mapas.

Sonhou com frio.

Frio que entrava pelos ossos e não saía. Frio que transformava pensamentos em gelo e movimento em impossibilidade. Frio que era o único companheiro em uma escuridão sem fim.

E, no centro do sonho, uma marca dourada que pulsava como segundo coração.

Acordou com a mão pressionada contra a rachadura em sua carapaça. Estava quente — mais quente do que deveria, quente o suficiente para ser desconfortável.

O que está acontecendo comigo?

A pergunta não tinha resposta. Ou talvez tivesse, e ela simplesmente não estava pronta para ouvi-la.

Do lado de fora de sua câmara, o Coração continuava sua existência silenciosa — oito mil vidas suspensas entre sobrevivência e resistência, apostando em uma profecia que talvez fosse mentira e em uma jovem que não sabia o que era.

E em algum lugar nas profundezas de Null'kai, um caçador vagava sem direção, carregando uma marca que queimava e perguntas que não conseguia responder.

Null'kai'om.

O vazio que espera.

Nas zonas mortas, onde nada deveria viver, dois destinos se moviam em direções opostas — ainda sem saber que eram, de alguma forma impossível, o mesmo.

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